quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Números Rasos


* O Facebook completou 10 anos esta semana, contrariando todos aqueles que pregavam que a rede não passaria de uma febre. Por curiosidade, fui checar a data em que entrei na brincadeira. 08 de maio de 2008, provavelmente na época do êxodo do Orkut.

* Há 20 anos, Marisa Monte lançava seu álbum Cor-de-Rosa e Carvão, pra mim o melhor da cantora e talvez o melhor da minha vida inteira. Não sei se alguém um dia terá tanta inspiração para superá-lo. O disco inaugura sua parceria com Carlinhos Brown.


* Pra comemorar 30 anos de carreira, desde sua aparição franzina no Fantástico ao lado da madrinha Beth Carvalho, Zeca Pagodinho reuniu os bambas do samba no programa das noites de domingo cantando seu sucesso Camarão que Dorme a Onda Leva.

Stephen Ward


* O novo musical de Andrew Lloyd Weber tem enfeitiçado as plateias que lotam o teatro Aldwych, em Londres, todas as noites. Stephen Ward é uma leitura musical do escândalo que abalou as estruturas políticas inglesas no ano de 1963, no caso que ficou conhecido como Profumo Affair.

* As canções são envolventes e a peça é bem amarrada, com o princípio e o fim na mesma cena, na câmara dos horrores de um museu de cera, onde o protagonista Stephen Ward está lado a lado com a figura de Hitler.

* A ideia de começar e terminar numa sala de museu é boa, mas não é inédita. Achei muito parecido com o que acontece no musical Aida, de Elton John e Tim Rice. Aliás, Tim Rice já foi um dos grandes parceiros de Lloyd Weber e hoje é seu desafeto.


* No entanto, o ponto alto do musical acontece ainda no primeiro ato, com o coro completo cantando You’ve Never Had it so Good, numa coreografia espetacular simulando um grande bacanal que faz corar os mais ortodoxos, mas de um bom gosto tremendo. Quem estiver de passagem marcada pra Londres pode incluir na programação.

Ao Mestre com Carinho


* Bonito o coro do colégio cantando o tema do filme Ao Mestre com Carinho, na semana de estreia da novela Em Família. Eu, que nasci tarde, só conheço o filme pela sua boa reputação, mas confesso que nunca o assisti – exceto a cena da homenagem, que vi ontem no Youtube enquanto pesquisava minha relação com aquela melodia familiar.

* Descobri que Os Abelhudos, um grupo infantil dos anos 80 – da minha infância, portanto – gravou a música em português, assim como a apresentadora Eliana o fez alguns anos mais tarde para a trilha sonora da novela Carrossel.

* Mas nem um nem outro remexeu os escaninhos da minha memória. Só depois, na fase mais avançada da pesquisa, lembrei que a música estava no episódio final da primeira temporada de Glee, quando os alunos homenagearam Mr. Schue, To Sir with Love!

Gravidade


* Quando Gravidade entrou em cartaz, no ano passado, uma única razão levou-me ao cinema. Esta razão atende pela graça de Alfonso Cuarón, um diretor mexicano que venho acompanhando com entusiasmo desde Grandes Esperanças – que é o filme que eu cito quando alguém me pergunta qual o meu filme número um.

* Nem George Clooney, nem Sandra Bullock teriam me seduzido com um filme de astronauta. Não fosse por Cuarón, eu só teria me interessado pelo filme depois de conhecer a lista dos indicados ao Oscar deste ano, liderada por Gravidade – ao lado de Trapaça – com dez indicações para cada um deles.

* As principais indicações estão na categoria de melhor filme, melhor diretor e melhor atriz para Sandra Bullock – ela já guarda na estante um Oscar recente por seu desempenho no filme Um Sonho Possível. As outras indicações são dentro de categorias mais técnicas, como melhor edição ou, no caso de Gravidade, da falta dela, já que a primeira cena do filme deixou os críticos boquiabertos pela ausência de cortes num longo plano onde a câmera passeia pelo espaço sideral.

* Pra quem não assistiu, trata-se de uma história onde dois astronautas se empenham em sobreviver depois de um acidente que os deixa à deriva no espaço. O filme cria uma tensão que não te abandona nunca, mas sem o propósito de assustar – apenas porque a situação em si, estar preso/solto do espaço, é naturalmente tensa.

* Nesta missão de sobreviver e de renascer após uma adversidade [nessa mensagem o diretor é brilhante], Sandra Bullock dá um upgrade na sua carta de motorista. Até então, ela estava apta somente a dirigir ônibus, como em Velocidade Máxima, mas agora já pode encarar foguetes e naves espaciais.


* A cena em que ela consegue entrar na nave, livra-se da roupa de astronauta e flutua em posição fetal é a que guardei em minha memória. Talvez porque ali foi a única sensação de descanso que eu pude sentir nos noventa minutos de filme.

Amor à Vida


* O último capítulo de Amor à Vida não foi um sucesso de público, mas parece ter agradado aqueles que acompanharam a estreia de Walcyr Carrasco no horário nobre. Com 44 pontos no Ibope, não chegou nem a fazer sombra para o último capítulo de Avenida Brasil, por exemplo, que teve 52 pontos, ou mesmo à sua antecessora Salve Jorge, que bateu 48 pontos.

* No entanto, foi um final de reconciliações e fortes emoções. Paulinha, que foi uma chatinha a novela inteira, me emocionou duplamente, tanto na cena com Ninho quanto naquela com Félix. A própria Suzana Vieira, que é alvo comum de críticas na vida pessoal, mostrou-se mais uma vez uma atriz decisiva.

* Mas a coroação, é claro, foi de Mateus Solano, o grande astro que entrou como vilão e terminou redimido, com direito a protagonizar o polêmico primeiro beijo gay da história da dramaturgia na Rede Globo.


* A propósito, a emissora se pronunciou sobre o assunto: Toda cena de novela é consequência da história, responde a uma necessidade dramatúrgica e reflete o momento da sociedade. O beijo entre Felix e Niko selou uma relação que foi construída com muito carinho pelos dois personagens. Foi, portanto, o desdobramento dramatúrgico natural dessa trama. A pertinência desse desfecho foi construída com muita sensibilidade pelo autor, diretor e atores e assim foi percebida pelo público. É importante lembrar que o relacionamento homossexual sempre esteve presente nas nossas novelas e séries de maneira constante, responsável e natural. A cena esteve de acordo com essa premissa e com a relevância para a história.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Google Glasses



* No último domingo, os moradores da fictícia Springfield, dos Simpsons, experimentaram a novidade mais aguardada da nova safra tecnológica: os óculos Google. Ainda em fase de aperfeiçoamento, os óculos prometem uma revolução oferecendo informações [como o Facebook, por exemplo] de pessoas que estejam em seu raio de visão.

* A estilista Diane von Furstenberg já havia causado frisson ao colocar suas modelos desfilando com os óculos Google em seu desfile na semana de moda de Nova York. A moda caminha de braços dados com a tecnologia. Prova disso é que a CEO da inglesa Burberry, que revolucionou a marca na esfera virtual, acaba de ser contratada pela Apple.

* Ninguém sabe ainda ao certo que linha vai separar as informações privativas das informações compartilhadas, mas uma coisa já se sabe: os óculos Google serão o item número um na sua próxima lista de desejos.

O Lobo de Wall Street



* Um dos filmes que está na corrida para o Oscar deste ano, O Lobo de Wall Street é a coroação da parceria entre o diretor Martin Scorcese e seu “muso” Leonardo DiCaprio, que começou há mais de dez anos nas Gangues de Nova York e tem, entre outros frutos, os premiados O Aviador e Os Infiltrados.

* No filme, DiCaprio interpreta Jordan Belford, um corretor da bolsa de valores que se especializa na venda de ações de empresas fadadas ao fracasso, sem força pra estar no pregão, cujos papéis não valem mais que centavos, mas que rendem 50% de comissão à lábia do vendedor. Assim sua clientela é composta pelos menos instruídos e pelos mais olhudos.

* Quem dá as primeiras lições ao protagonista é Mark Hanna, personagem vivido por Matthew McConaughey, e aqui cabe uma trívia interessante: aquela coisa de bater no peito e cantarolar é um ritual de aquecimento que McConaughey pratica antes de atuar. Quando DiCaprio o viu fazendo aquilo, encorajou o colega a incluir o ritual na cena e acabou virando um elemento que se repete posteriormente na trama.

* O que segue é uma ode à ganância. O fuck pula do texto feito pipoca. A cocaína é o combustível oficial de Wall Street, conforme o filme apresenta. Em uma determinada cena, o lobo está com o focinho branco e a tia de Londres, tão entendida quanto distinta, pergunta a ele se estava comendo rosquinha. Com toda a ironia que a pergunta pode comportar.

* Outra cena inesquecível acontece no iate Naomi, batizado assim em homenagem à amante que virou esposa, vivida pela escultural atriz australiana Margot Robbie. Lá pelas tantas, ele tenta subornar agentes federais e termina arremessando notas de cem dólares sobre eles da balaustrada da embarcação. Antológico!

* Apesar da figura do lobo estar no título do filme, é um leão que a gente vê caminhar pelos corredores do escritório na cena de abertura. A propósito, o símbolo máximo de Wall Street é o touro.

* O Lobo de Wall Street foi indicado em cinco categorias: melhor filme, melhor diretor, melhor ator, melhor roteiro adaptado e melhor ator coadjuvante para Jonah Hill.