segunda-feira, 16 de abril de 2012

Master Class

* A peça de Terrence McNally, atualmente em cartaz em Londres, faz justiça ao seu título: Master Class é, de fato, uma Aula Magna. Todo artista – sobretudo aqueles que se lançam à aventura de cantar – merece passar pelo crivo de Maria Callas.

* Mas antes uma observação: fiquei espantado com a quantidade de pessoas que nunca ouviram falar de Maria Callas, cada vez que conto sobre as peças que assisti recentemente.

* Maria Callas foi apenas a maior soprano de todos os tempos, uma americana de ascendência grega que viveu uma paixão arrebatadora com Aristóteles Onassis – esse eu espero que vocês conheçam – e morreu antes d’eu nascer. Seu corpo está enterrado no Père Lachaise, em Paris, mas sua voz continua a ecoar nos melhores teatros do mundo.

* Voltando à peça: o diretor faz uma sábia opção por uma protagonista não cantora, até porque seria muito atrevimento de qualquer uma achar que pode cantar como Callas. Então Tyne Daly está perfeita no papel, com uma excelente caracterizaçãoda personagem, inclusive no “greek accent”.

* Enquanto avalia alguns cantores, Callas mostra porque se tornou a melhor. O panorama que ela traça sobre a interpretação de uma canção faz toda a diferença. Quem puder, se jogue!


Hospitaleiros



* Muito oportuno o artigo do Alexandre Garcia publicado no jornal Município Dia a Dia na edição de sexta-feira [13], onde ele traz à luz da superfície o problema de hotelaria no Rio de Janeiro, quando a cidade se prepara pra receber 50 mil pessoas por conta da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável.

* Atualmente, a cidade conta com 32 mil leitos de hotéis e, conforme a estação, já é difícil de conseguir um destes 32 mil. Em menos de dois meses, teremos um vexame. Sem falar dos 80 chefes de Estado e das 120 delegações estrangeiras que também estarão na cidade, onde aumenta consideravelmente a demanda de hospedagem de alto nível.

* Uma vaga no Copacabana Palace ou no Fasano será disputada na queda de braço: o braço que ostentar mais jóias leva a suíte.

* O problema é apenas uma prévia do que está por vir. A Copa é em dois anos e eu vou sentar na plateia pra assistir o Cristo Redentor abraçando o mundo. Certamente, vai faltar braço.

* Minha bola de cristal mostra o jeitinho brasileiro resolvendo todo e qualquer problema. Afinal de contas, somos hospitaleiros por natureza. Quem é que vai se negar a oferecer um “bed and breakfest” em sua própria casa, com a boa possibilidade de fazer um extra? Posso ver os anúncios estourando na internet feito pipoca.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ghost - the Musical

* O ano corrente era 1990 quando uma Demi Moore de cabelos curtinhos fazia par com Patrick Swayze num dos grandes sucessos da história do cinema – o filme Ghost, que aqui no Brasil ganhou o subtítulo desnecessário Do Outro Lado da Vida.

* Desta vez, vou me abster da sinopse acreditando que o leitor já viu e reviu este clássico, e se por acaso você for da turma que nasceu tarde, veja porque Ghost faz parte de todo e qualquer repertório de cinema.

* Em julho do ano passado, o filme ganhou versão musical nos palcos do West End, em Londres. Quando eu vi o cartaz, me vesti com todo o meu preconceito e pensei “É bucha!”. Descartei a possibilidade até esbarrar numa propaganda do show num cinema de Londres.

* Ali se acendeu uma luzinha. Recentemente, voltei à cidade com o plano de quebrar o paradigma que eu havia criado e assistir à versão musical. Cinco estrelas. Foi simplesmente uma das melhores surpresas da viagem. Poucas vezes eu fiquei tão impressionado com efeitos especiais, porque além de tudo, o musical é um show de mágica.

* Com a iluminação jogando a seu favor, o protagonista Sam atravessa paredes, ocupa espaços que já estão ocupados, levanta do próprio corpo [como no filme], surge em cena do nada e assim como chega desaparece.

* A cena da luta entre o “amigo” e o fantasma de Sam é primorosa. O som é digital, o que faz toda a diferença. A trilha sonora é linda, com destaque para o diálogo cantado que antecede a cena da morte, com a canção Three Little Words. E Unchained Melody, surradíssima, ganha roupas novas e emociona a plateia. O sucesso da peça é tão estrondoso que acaba de abrir uma filial na Broadway, em Nova York.

Dirty Dancing


* Por falar em Patrick Swayze – morto em 2009, vítima de um câncer no pâncreas – acabo de ler a notícia de que o roteirista e produtor Brad Falchuk, co-criador do seriado Glee, será responsável pelo roteiro de uma nova versão do filme Dirty Dancing, que este ano comemora 25 anos desde seu lançamento.

* A canção The Time of My Life, escrita para o filme, marcou a trilha sonora da vida de muita gente e tocou à exaustão, tendo permanecido por semanas, meses e anos na lista das mais tocadas. Recentemente, voltou numa versão remixada pelo Black Eyed Peas.

To Rome With Love

* O novo filme de Woody Allen, To Rome With Love – ainda sem título em português – ganhou seu primeiro trailer. Depois de colher os louros de Meia-Noite em Paris e até de rejeitar a colheita, já que nem foi à festa do Oscar onde foi premiado com a estatueta de melhor roteiro original, ele foi explorar os cenários italianos. É um filme rodado totalmente na Itália e inspirado na obra clássica Decamerão, de Boccaccio. São quatro histórias distintas que compõe a comédia romãntica. No elenco estão Penélope Cruz, Roberto Benigni, Ellen Page, Alec Baldwin e o próprio cineasta. A estreia no Brasil está prevista para junho.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Pílulas


* Um artigo no Jornal do Brasil traz à superfície um assunto que acabou se tornando corriqueiro: as pessoas que recorrem ao álcool, às drogas e sobretudo às pílulas – pra agüentar o repuxo do dia-a-dia.

* É um ciclo que inclui um comprimido pra dormir, outro pra acordar, mais um pra passar a dor e mais outro pra ficar feliz. Assim, a indústria de tranquilizantes, sedativos, estimulantes e antidepressivos vai enchendo o seu porquinho.

Save the Last Dance for Me

* Eu sei. Nem todos os dias são dias de sol, e a chuva, quando falta, pede-se – isso é Fernando Pessoa. Mas eu tenho um antídoto pra tristeza que posso recomendar, e você pode até criticar, mas não antes de experimentar.

* É simples: compre um disco do Michael Bublé que se chama It´s Time. Ali você vai encontrar uma música chamada Save the Last Dance for Me. Tranque-se na sala de casa, coloque esta música no modo “repeat” e deixe que a canção cuide de todo o resto.

Entrelinhas

* A letra da música é sobre um sujeito que diz à sua companheira que ela está livre pra perambular a noite inteira, contanto que guarde a última dança pra ele.

* Na série americana Spectacle, no episódio que Elvis Costello recebeu Lou Reed, veio à tona a inspiração da canção – e eu sou encarnado nas histórias por detrás das canções.

* Lou Reed, que havia trabalhado com Doc Pomus, autor da música, contou que ela foi escrita no dia do casamento de Doc com Willi Burke, enquanto o noivo, na sua cadeira de rodas, via a noiva dançar com seus convidados.

* Pomus teve poliomielite e, às vezes usava um par de muletas para saracotear. Sua esposa era atriz e dançarina da Broadway. Na perspectiva dele, ela pode dançar à vontade, mas lembra que no fim da noite, é nos seus braços que ela vai pra casa.

segunda-feira, 5 de março de 2012

A Separação


* O filme iraniano A Separação, que faturou o Oscar de melhor filme estrangeiro e todos os outros prêmios criados nesta categoria, é um filme pra refletir. A pergunta que eu me fazia, na saída da sala escura, era sobre a função do cinema.

* Creio que os filmes bons sempre são aqueles que nos fazem refletir. Nesse sentido, A Separação é super eficiente. Mas também acredito que o entretenimento é a palavra-chave que a gente busca quando vai ver um filme. E é aí que A Separação é um desastre, porque não há cristão com um mínimo de sensibilidade que não saia arrasado de lá.

* Se você tem o mau hábito de reclamar da vida, pare de chorar suas pitangas e assista a esse filme pra ter uma bela referência sobre dureza. É um barraco atrás do outro.

* Contudo, o aspecto mais irritante do filme não chega a ser este, mas sim o estilo detestável onde a câmera fica sempre na mão [deve haver um nome técnico pra isso em cinema, mas não me ocorre agora] e nunca sobre uma base firme, como na Bruxa de Blair, lembram?

* Se você tiver visto todos os outros filmes da lista do Oscar, então vá adiante e assista A Separação pra fazer parte do seu repertório. Mas se você tiver outra opção, daquelas com final feliz, deixe esta pra uma outra ocasião.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Palácio do Fim


* Um dia, José Wilker andava por Nova York quando, num fim de rua, avistou uma pequena aglomeração logo abaixo de um letreiro que dizia Palace of the End. Acabou embarcando na ideia e saiu de lá determinado a comprar os direitos da peça e montá-la aqui no Brasil.

* Reuniu Camila Morgado, Vera Holtz e Antonio Petrin e o resultado é um sucesso: estreou no fim do ano passado no teatro Poeira, no Rio, e agora está com a temporada esgotada até abril no Sesc Consolação, em São Paulo.

* Baseada em relatos verídicos, Palácio do Fim apresenta três visões particulares sobre o drama da guerra no Iraque. A peça descreve com precisão e intensidade a forma pela qual três vidas, mesmo em lados opostos de um conflito, podem ser modificadas e conectadas pela barbárie.

* Palácio do Fim, referência à antiga sede da câmara de tortura de Saddam Hussein, leva o público a observar como, nas mais diferentes culturas, a irracionalidade traça sempre o caminho da dor.