domingo, 5 de julho de 2009

EXCESSOS


A morte de Michael Jackson trouxe à superfície um assunto que costuma desagradar uma das instituições mais poderosas do planeta: a indústria dos remédios.

Os rumores que correm é de a causa mortis do ídolo tenha sido uma dose excessiva de Demerol. Me corrijam se eu estiver equivocado, mas o Demerol é um analgésico poderoso como a morfina, daqueles que te levam ao céu em uma picada.

Não faz muito mais de um ano, o ator australiano Heath Ledger foi encontrado morto, vítima de uma overdose de remédios pra dormir.

Nossa cultura já aceitou: a gente toma remédio pra dormir, depois toma remédio pra acordar. Se levantar de mal humor, toma remédio pra ficar feliz. E se bater qualquer ansiedade, uma outra pílula mágica faz seu coração voltar ao pulso normal.

Ao mesmo tempo em que é louvável a gente poder contar com um comprimido que elimina a nossa dor, é triste ver o quanto estamos condicionados a resolver nossos problemas na farmácia.

Ninguém mais tira um tempo pra olhar pra dentro. Ninguém quer saber se a dor na cabeça é cansaço, se é fome, se é calor ou se é fruto de algum excesso. Basta umas gotas de qualquer coisa e o incômodo se esvai.

No dia seguinte, repete-se o rito com a mesma facilidade com que se faz o sinal da cruz diante de um símbolo sagrado e assim acostumamos o nosso corpo a sobreviver nessa loucura que são os nossos dias, acompanhando o nosso ritmo.

Somos complacentes com com uma sociedade que não sabe dosar o uso de drogas e insiste em tratar o assunto da forma mais velada possível. Proibimos a maconha mas aceitamos o abuso de substâncias fatais. E assim nossos heróis vão morrendo de overdose.

PORTOFRANCO


Terça-feira [07] Susy Ogliari [foto] recebe convidados especiais pra inaugurar a Portofranco, no Archer Boulevard, numa noite de alegria e borbulhas de Chandon. Nesta estreia [sem acento pra estar em dia com as novas regras da gramática] participo comandando a trilha sonora da noite acompanhado de uma banda que conta com Gica Pereira no violão, André Alberton no contrabaixo, Rafael Vieira na bateria e muito samba e bossa nova no repertório.

A propósito do nome, achei a história incrível e decidi compartilhar: Porto Franco era um lugarejo nas cercanias de Botuverá nos tempos da colonização onde os imigrantes ancoravam suas balsas e canoas, na foz do Ribeirão Porto Franco, afluente do Itajaí-Mirim. Ali aproveitavam pra descansar e se lavar, o que dá um gancho ótimo pra uma loja de roupa de cama e banho.


FURO MTV



Depois de A Fazenda, o programa de tevê que mais me diverte no momento é o Furo MTV – apresentado por minha querida [e agora ilustre] amiga Dani Calabresa e seu parceiro de bancada Bento Ribeiro.


A sintonia entre os dois é de botar inveja até no casal Bonner & Bernardes, as piadas são sarcásticas, os assuntos são pertinentes e a dinâmica é no ponto.


Quem quiser conferir, passa de segunda a sexta as 10:15 da noite. Quem não tem acesso ao canal, pode ver na internet, no site da MTV Brasil, em qualquer horário porque fica armazenado.


Nessa foto, Calabresa, Juliana e Rodrigo num feliz encontro em Rio das Pedras vários anos atrás

O ENIGMA DO PRÍNCIPE


Os fãs da série Harry Potter estão na expectativa pro lançamento do sexto filme da série – Harry Potter e o Enigma do Príncipe.

A estreia mundial está prevista para a semana que vem, numa produção de U$ 200 milhões, o maior orçamento da série até então.

Daniel Radcliffe, o ator que deu vida ao protagonista em todos os filmes e que completa vinte anos no fim deste mês, é um daqueles casos típicos que, faça o que quiser, será eternamente lembrado por este papel.

Assim como Jennifer Aniston será sempre a Rachel de Friends, Harrison Ford o Indiana Jones, Macaulay Culkin o Kevin de Esqueram de Mim e a Betty Faria nunca será outra coisa que não Tieta.

QUATRO CENTAVOS


Durante alguns anos, mantive uma conta-corrente no Banco do Brasil. Descontente com o tratamento, resolvi passar a régua e migrar para um banco privado – já que, na época, pus a culpa da minha indignação no funcionarismo público.

Aconteceu que, por um lapso temporal entre o encerramento da conta e o vencimento da fatura do cartão de crédito, eu recebi durante meses uma outra fatura no falor de uns três reais que deixei rolar pra ver no que ia dar.

Todo fim de mês chegava aquele envelope timbrado do BB com uma conta que eu insistia em não pagar, nem sei bem o porquê. Provavelmente porque achava tão irrisório que não podia dar em nada.

Depois de muitos meses aquele valor tinha crescido um pouco e, diante das taxas estratosféricas praticadas pelos cartões de crédito, minha fatura era agora de cinco reais.

Eu já estava de saco cheio daquela correspondência mensal e decidi quitar a dívida. O custo de tantas postagens já estava bem além do que iriam receber e, no dia do vencimento, fui ao banco e zerei a conta.

Pois não é que o fim do mês me trouxe uma surpresa?! Uma dívida no valor de quatro centavos – sim!, você leu certo – que pretendo colocar numa moldura e pendurar numa parede bem estratégica da minha vida.

Custo a acreditar que alguém gaste papel, tinta e selo pra cobrar quatro centavos do que quer que seja. Mas quando um banco do Estado vai à bancarrota, a salvação pode facilmente vir dos cofres públicos, abastecidos por mim e por vocês.

LEI ANTIFUMO


São Paulo está passando por um momento controverso nesses dias de contagem regressiva para o advento da Lei Antifumo, que entra em vigor no início de agosto.

A lei proíbe o uso de cigarros, cigarrilhas, charutos e afins em todos os ambientes de uso coletivo, total ou parcialmente fechados, incluindo aí bares, boates, restaurantes, shoppings e até táxis. Basicamente, só se poderá fumar em casa ou ao ar livre. Justo!

No entanto, os proprietários de estabelecimentos estão preocupados com a reação do público. Alegam que a lei é fascista e que se Fulano tem um bar e decide colocar na porta um “permitido fumar” em letras garrafais, é um direito seu. Quem não gostar que passe longe.

O buraco é mais embaixo. Se todo dono de bar ceder pra agradar ao público fumante, a legislação fica obsoleta. E os não-fumantes continuam respirando a fumaça, desgraça que a gente tem que tossir.

Bem que poderia ser uma lei federal. Isso nos pouparia um bocado de constrangimentos porque verdade seja dita: nos entendam os fumantes inveterados, mas a nuvem do cigarro é espaçosa demais.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

JEAN CHARLES


Jean Charles de Menezes era um brasileiro por excelência: malandro, cheio de lábia, bem-relacionado e profundo conhecedor do famoso “jeitinho”. Pra quem não liga o nome à pessoa, foi aquele emigrante confundido com um homem-bomba e morto no metrô de Londres com vários tiros à queima-roupa, pela Scotland Yard.

Sexta-feira passada estreou em circuito nacional um filme sobre sua vida. Quer dizer, não exatamente sobre a sua vida porque não há detalhes da infância caipira ou da primeira comunhão, mas do período em que se aventurou num país estrangeiro em busca de trabalho, repetindo a história de milhares de pessoas que partem todos os dias atrás do mesmo sonho.

O fim da história todo mundo conhece. Foi manchete dos jornais do mundo inteiro. O legal é conhecer o miolo, comovente, na pele do ator Selton Mello que reviveu o personagem de forma brilhante. Destaco também a atuação da Vanessa Giácomo no papel da prima que embarca na mesma aventura e o ator Luís Miranda, um gênio do humor, no papel de Alex.

Na reta final do filme, Daniel de Oliveira entra numa participação quase inexistente, bem menor que a de Sidney Magal, interpretando a si próprio, num dos bons episódios da vida de Jean Charles. Não dá pra perder!