quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

George, Brad mais Três Homens e Um Segredo


* George Clooney tem sido figurinha repetida nas premiações do Oscar na última década. Com um detalhe: seus filmes – tanto na função de ator como na de diretor – aparecem ano sim, ano não.

* Vamos refrescar a memória: no Oscar de 2006, Clooney veio com a força toda, concorrendo às principais categorias com o seu Boa Noite e Boa Sorte. Acabou saindo da festa com a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante, mas por outro filme – Syriana, sobre a indústria do petróleo. No ano seguinte, nenhuma menção ao seu nome.

* Em 2008, volta concorrendo ao prêmio de Melhor Ator por Conduta de Risco. Ano seguinte, folga. Depois, em 2010, é novamente indicado como Melhor Ator no filme Amor Sem Escalas. Ano seguinte, férias.

* Agora, em 2012, Mr. Clooney contra-ataca. Seu filme Tudo Pelo Poder não teve uma performance admirável na lista de candidatos, concorrendo apenas na categoria de Roteiro Adaptado, mas Os Descendentes está indicado nas principais categorias, inclusive na de Melhor Ator, concorrendo com Brad Pitt e mais três homens – e um segredo, que será desvendado na cerimônia do Oscar, marcada pra 26 de fevereiro.

Sonho Romântico


* O comentário do Jabor sobre a passagem da presidente Dilma pelo país de Fidel Castro foi feliz no telejornal anteontem. Ele disse que a presidente Dilma fez o que pôde. Não dava pra fazer uma intrusão direta na política interna de Cuba, não só pela força simbólica do país, que foi certamente um sonho romântico de Dilma, mas também porque há muitos fatos e interesses de Estado com a ilha.

* Mas eu creio que Dilma acertou duas vezes nessa delicada situação. Primeiro concedeu o visto brasileiro para a moça. Ótimo! Se os comunas velhos não deixarem a [blogueira] Yoani sair, ruim pra elas e pior pra eles.

* Outra coisa elogiável e sincera foi Dilma assumir o nosso precário telhado de vidro no Brasil, em que os direitos humanos são massacrados também, não por um partido apenas como em Cuba, mas por inúmeras causas que geram a barbárie geral do país. Basta ver nosso sistema prisional ou o escravismo no nordeste e Brasil central.

* Dilma apontou também para algo bem contemporâneo. Os blocos ideológicos são hoje confusos e arcaicos. Por isso os direitos humanos devem estar acima de partidos ou ideologias. Na confusão do mundo atual temos de buscar direitos universais. A humanidade voltou a importar.

* No entanto, uma frase de Dilma pode ser aperfeiçoada. Ela disse: “não podemos fazer dos direitos humanos uma arma de combate político e ideológico”. Correto. Mas o contrário também é verdadeiro. Vice-versa. A defesa de ideologias e regimes não pode ser um pretexto ou uma justificativa pra se ignorar e ferir direitos humanos fundamentais.

Água para Elefantes


O fotógrafo “catarina” Humberto Furtado colocou a mochila nas costas, a máquina fotográfica no pescoço e foi se aventurar em uma longa viagem pela Ásia e pela África. A foto que ilustra a coluna de hoje é um registro de sua estadia em Surin – Elephants Village – na Tailândia, onde está fazendo um trabalho voluntário nesta fazenda de elefantes, onde adotou um dos quase 200 animais que compõem essa reserva. Seu nome é Pen Ten [Lua Cheia] e ele é responsável por cortar a cana, alimentar, levar ao rio e dar banho.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Xanadu


* Os grandes musicais ganharam solo fértil aqui no Brasil nos últimos doze anos. É lindo acompanhar o nível de produção e capricho pra conquistar o espectador com o gênero. Só que o público espera sempre mais.

* Não basta cantar, dançar, interpretar e sapatear. Tem que voar. E na era do 3D, não basta voar. Tem que voar por cima da plateia. Primeiro foi Mary Poppins que fez o vôo inaugural. Depois dela, o Homem Aranha e as Bruxas de Eastwick já voaram sobre os espectadores.

* Anteontem, no teatro Oi Casagrande, no Rio, os atores Danielle Winits e Thiago Fragoso sofreram um acidente durante apresentação do musical Xanadu. Os dois estavam pendurados sobre a plateia por um cabo de aço quando caíram, ferindo dois espectadores.

Los Hermanos


* O cenário do primeiro encontro foi a PUC do Rio nos anos noventa. Ali a gente pode dizer que nasceram Los Hermanos, uma banda com uma trajetória de sucesso bastante particular.

* Se você pedir a um cidadão comum que cante uma canção do grupo, é bem provável que ele não saiba nenhuma. Se você induzir, talvez ele consiga lembrar do refrão de Anna Julia, que estourou nas FMs e caiu no gosto dos ouvintes – e isso inclui George Harrison, que gravou a música.

* Mas não é pra escrever do cidadão comum que eu empunhei a pena, e sim daquele grupo pequeno que foi sendo seduzido pelas outras músicas da banda, desconhecidas das rádios. Um grupo pequeno que foi se multiplicando até lotar teatros onde todos cantavam em uníssono aquelas canções.

* Eu sou um deles e participei dessa cena. Em 2005, quando o quarto e último álbum chegou nas prateleiras, eu assisti aos barbudos no teatro do CIC, em Floripa. Foi um show pra pendurar na parede da memória.

* A plateia inteira cantando junto todas as letras, e minha amiga Karine Appel – que eu carreguei comigo – ficou sem entender direito aquele febre, já que nada daquilo era popular e, no entanto, todos ali sabiam de cor.

Turnê

* Um pouco depois disso, eles resolveram se separar. Os motivos nunca vieram à superfície, mas a História – com H maiúsculo mesmo – está repleta de demonstrações de que só cabe um galo em cada galinheiro e dividir a liderança entre Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante pareceu não funcionar.

* Resultado: os fãs ficaram órfãos. Marcelo lançou álbuns solo, Rodrigo também seguiu seu caminho até que um belo dia deu saudade e aceitaram voltar a se apresentar juntos. Foi uma loucura. Os ingressos não chegavam a esfriar nas bilheterias.

* Ano passado, divulgaram uma turnê para este ano comemorando os quinze anos, desde aquele primeiro encontro na PUC do Rio. Vão percorrer algumas capitais do Brasil em shows concorridíssimos, cujos ingressos se esgotaram tão logo quanto foram anunciados.

Re-Trato

* Você pode até torcer o nariz para as fusões de rock e MPB dos Los Hermanos, mas não dá mais pra ignorar a importância musical que eles conquistaram. Prova disso é a homenagem que vão receber, idealizada pelo blog Musicoteca.

* Trata-se da coletânea Re-Trato que trará mais de 30 artistas da cena indie reinterpretando a obra do quarteto. O resultado será um tributo em CD duplo – cada um com 12 faixas, mais 3 faixas-bônus e uma ilustração para cada música feitas pela artista plástica Luyse Costa.

* Entre os convocados para a homenagem, os curitibanos d’A Banda Mais Bonita da Cidade que fizeram uma bela releitura de Dois Barcos. Rodrigo Del Arc também fez um belo trabalho com O Vencedor. Tudo já no Youtube, óbvio.



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Kim Dotcom


* O alemão Kim Schmitz, mais conhecido como Kim Dotcom, o fundador do site Megaupload.com, foi detido na Nova Zelândia a pedido do FBI que o acusa de pirataria em massa.

* Eu não o conheço. Dizem que é um sujeito de quase 2 metros de altura e 140 quilos. Também dizem que não é flor que se cheire, e que na sua casa foram encontrados passaportes e cartões de crédito com nomes diversos.

* Mas honestamente, sou grato ao Megaupload e a todos os seus congêneres pelo acesso que pude ter a alguns itens que – pelo preço, raridade ou outro motivo – não fosse por eles eu jamais encontraria.

* Se você entrar hoje no site, vai notar que o domínio foi confiscado, com direito a selo do Departamento de Justiça Americano.

A Dama de Ferro


* Meryl Streep é, disparado, o nome mais assíduo nas listas de indicados ao Oscar de Melhor Atriz. Este ano, ela recebeu sua 17ª indicação, sendo 3 vezes na categoria de atriz coadjuvante e todas as demais em um papel principal.

* A indicação deste ano é pela sua personagem no filme A Dama de Ferro, onde interpreta a ex-primeira ministra inglesa Margaret Tatcher. O papel rendeu polêmicas, já que o filme não foi feito pra elogiar a ministra, que ainda vive e está perto dos noventa anos.

* O curioso é que, com tantas indicações, Meryl só foi agraciada com o Oscar por duas vezes: em Kramer vs Kramer e n’A Escolha de Sofia. Desde 1983 ela volta pra casa com as mãos abanando.

* Este ano, a briga é de cachorros grandes: compete com as veteranas Glenn Close e Viola Davis e com as jovens Michele Williams e Rooney Mara.